06/11/2018

Um papo sobre escolhas acadêmicas e pirações



A verdade nua e crua?
Eu tô praticamente a Clarice Falcão no filme Eu Não Faço a Menor Idéia do que Tô Fazendo com a Minha Vida. Sério.
Antes de qualquer coisa, fica uma dica se não assistiram a esse filme ainda. Quando lançou assisti no cinema com a minha mãe, olha que fofinho.

Bem, vamos ao ponto: quem é que sabe o que quer realmente? O ser humano tem sempre tantas inteligências desenvolvidas, algumas pessoas são boas em tanta coisa, ou mesmo que sejam duas coisas distintas, já dá uma dor de cabeça porque né, “escolher faculdade você escolhe uma só, Joãozinho, decide aí a profissão que vai trazer comida pra tua mesa e vê se  decide rápido”.

Nada espera por ninguém, nem a gente. É o que dizem, aliás, é o que nos mentem.

A verdade é que o mundo é grande demais e as idéias que colocam na nossa cabeça sobre ensino superior e carreira profissional são microscópicas. É tudo um plano de caixinhas que ou você tem a sorte de encaixar, ou sucessivamente vai tirando seus pedaços e se diminuindo pra fazer caber. E estou aqui pra tentar quebrar um pouco isso.
Tenho amigos de todo jeito. Uns estão felizes na faculdade que escolheram e seguem firme no sonho do Emprego Ideal e Seguro TM; outros que estão no meio de uma faculdade de afinidade mais ou menos e pensando no que fazer a seguir;  gente que se formou, trabalhou e quebrou a cara com a profissão e agora ta ralando pra se descobrir de novo; outros que nem fecharam nada ainda, tão pulando de área em área a procura do encaixe acadêmico quando tem mil paixões no peito.
Tem de tudo.

Um pouco de mim também ressoa com cada um deles.
De um lado fiz um curso que me fez mergulhar numa área que gosto, do outro tem a dificuldade de achar emprego e aquela vozinha na cabeça que diz que pegar o caminho das profissões básicas vai resolver tudo na minha vida. Por um terceiro e holístico ponto de vista, há em mim a vontade de largar tudo e fazer trabalho voluntário por aí, morar em países diferentes com emprego só pra pagar moradia e viver a juventude antes que acabe.

É um enorme potpourri .
Sabe o que pira mais ainda? Que nenhuma das opções é 100% certa e confiável. Não tem um Emprego Ideal e Seguro TM me esperando em nenhuma das portas que eu acho que devo abrir, só tem umas possibilidades. Nem estas definidas.

A partir desse ponto, que parte de uma ausência de caminho certo, a gente começa a pensar de uma forma diferente.
Não adianta seguir o que a tua família quer, não é sucesso garantido.
Não adianta fazer um curso difícil e que o salário paga bem no futuro, você pode odiar tudo e desistir.
Às vezes nem fazer o que você acredita que quer é a solução da tua angústia. A gente muda, cada novo dia somos um novo ser humano, com novas habilidades, convicções, a gente muda e as aptidões também. Nada é perda de tempo, a chave é se respeitar dentro das fases.

Então se liberte, permita-se escolher as coisas erradas. Ou demorar a escolher. Até mesmo trocar a opção que antes era definitiva. Porque nada é.
Não tem nada de errado com a gente. Pessoas plurais merecem várias opções mesmo e a vida não veio destrinchada pra você, então se permita descobrir vários caminhos.

É isso, só queria te dizer que cê pode fazer tudo e que tá dando certo c: .

20/10/2018

Sobre viver sozinha


Oi!

Depois de um ano cheio de experiências que me fizeram amadurecer muito devido a enorme quantidade de tapas na cara tomados, acho importante fazer uma série de relatos do que vivi e como isso fez diferença não só no meu modo de ver o mundo hoje, mas também na maneira como eu me coloco a frente das coisas com uma postura diferente.

Bem, espero que sirva de alguma coisa. Quem sabe lendo as trapalhadas que dei alguém consegue evitar na sua própria estrada de tijolos amarelos?

Viver sozinha é mais fácil do que parece, já começo por aí.
Assim que cheguei em terras estrangeiras, fiquei num hotel enquanto procurava um apartamento definitivo. Durante esse período até que curtinho e bem antes dele sempre me achei incapaz de levar uma vida completamente independente.
Por anos tive pavor de sair do país, não conseguia me ver sem alguém morando comigo, sem companhia pras horas de ansiedade e medo do futuro, sem ninguém pra me dizer que as coisas ficariam bem não importando qual a crise da vez.
Pois bem, arranjei uma companheira de casa, era como se meu mundo estivesse com os pilares no lugar de novo. O que poderia dar errado? Tudo, basicamente.

Não que eu seja a favor de vidas heremitas e que o contato humano seja algo ruim, longe disso. Mas agora consigo ver que não é a companhia ininterrupta que nos fortalece, e sim a maturidade de conseguir ser autosuficiente e saber se cuidar, tendo noção das nossas próprias necessidades.
Todo mundo merece conseguir morar sozinho. Sério, é algo importante, ter vontade de conquistar algo só seu. Nada eterno, mas o suficiente pra se conhecer e se levar a sério no sentido de que "em caso de emergência, tenho a mim mesmo, e tá ok"

Depois de quatro meses horríveis, consegui me mudar e fui prum mini lugar de 18m². Foi a coisa mais libertadora que já fiz. Comecei a cozinhar pra mim, descobrir minhas medidas de consumo, o que eu realmente gostava de comer, o que me dava aflição e ficava até estragar.
Aprendi o meu método de limpeza, meus horários de pique pra cuidar das tarefas (porque convenhamos, não é com qualquer um que você pode começar a aspirar a casa ás 3 da manhã).
Comecei a aprender coisas novas, me entreter com assuntos que realmente importavam pra mim. Não tinha mais aquela obrigação em ir atrás do que agrada ao coletivo, era eu.

Comecei a me conhecer de verdade. Não era enquanto filho, estudante, jovem não contribuinte, o mais novo, era uma pessoa completa. Alguém 100% relevante.

Descobri que a vida pode ser mais natural, comecei a fazer escolhas de produtos que me agradavam. Passei a ter um estilo de vida mais reduzido, algo que combinasse com os meus ideais, que ressoasse comigo, não o que deixasse as pessoas menos intrigadas com as minhas escolhas "esquisitas". Não tinha a quem agradar, era pra mim.

Parece meio bobo, mas faz toda diferença. Aprender o que te faz bem é um caminho longo, a gente acha que se conhece, mas tenta ficar 6 meses por conta de toda uma casa e sua rotina.

Vai por mim, vale a pena e você merece.

13/10/2018

Cês já assistiram Hilda no Netflix?


Oi, tudo certinho?
Se você, assim como eu há algumas semanas atrás nunca tinha ouvido falar de uma coisa tão gracinha e incrível que é Hilda Folk, pegue seu cházinho e bora conversar porque eu trago boas novas!

O que pode ser melhor do que um mundo de fantasia em que bolas de pelo com olhos enormes chamadas "Woff" voam pelos céus enquanto mini elfos preenchem papelada e uma mãe solteira vive com a filha numa floresta mágica? Exato, uma graphic novel sobre isso!

Eu lhes apresento, Hilda Folk de Luke Pearson.


Ok ok, sei que o título fala de Netflix e tal, mas preciso te apresentar a obra prima que são os quadrinhos primeiro. Contexto, meus caros.

Bem, pelas minhas breves pesquisas Luke foi da equipe de Hora de Aventura, o que indica bastante como ele é fã de surrealismo e realidades mágicas. 
Sua obra autoral além de ter um tema legalzão tem muito mais e eu listo a seguir motivos pelos qual você deve se apaixonar por Hilda:


  • Uma mãe profissional liberal, designer gráfica, fofíssima, e sua filha vivem independe e maravilhosamente numa casinha na floresta. Mulheres fortes e normatização de famílias não estereotipadas yeah!
  • Há representatividade de etnias em todo o canto, a melhor amiga de Hilda é latina, há personagens muçulmanos e de todas as etnias em todo o canto! (Confesso ainda esperar por ver personagens com deficiência física e casais não heteronormativos, mas acredito que isso esteja presente nos quadrinhos, mas não tanto na série animada...ainda)
  • Hilda é uma garota corajosa e inteligente e ainda assim muito doce e que busca sempre o bem e o aprendizado. Ela têm seus conflitos, tem fragilidades de acordo com a idade, as relações são verdadeiras e as personagens são todas muito bem desenvolvidas.
  • O outro melhor amigo tem déficit de atenção e é totalmente incluso e aceito em todos os grupos e situações. O crescimento e amadurecimento dele é gradual e motivador. A presença de personagens com diagnósticos psicológicos e a maneira inclusiva com que se trabalha sutilmente o tema é um enorme ponto positivo!
  • Enredo bem feito! Sim, é ótimo quando tem pautas sociais levadas em consideração em obras artísticas, mas também é igualmente importante ter uma boa história e Hilda não deixa a desejar. Tudo flui de forma envolvente e as histórias são todas muito bem costuradas, além de o ritmo ser legal também. Você não sente que tem fillers empacando a vida.
  • Cenários ~incríveis~. Gente, o que são as cores desse negócio, pelo amor dá vontade de cobrir as paredes da minha casa com prints das paisagens. 
  • A trilha sonora é muito boaaaaa! Eu tenho até a playlist salva no Spotify, é um folk que dá à série uma ambientação perfeita.

Já deu pra ter um gostinho? Deixo aqui finalmente o trailer e fica aí a recomendação dessa série fofíssima e curtinha que super vale a pena.



09/10/2018

Estou de volta, bebê


Olá!

Diretamente do túnel do tempo através de um canal um tanto quanto duvidoso de comunicação cibernética, cá estou de volta a blogosfera!

Me sinto uma múmia, sinceramente. Mas né, vale sempre tentar uma retomada do bem.

Fui pro Canadá, voltei do Canadá (igual a Luisa, cês viram só) e agora tô duríssimo e a procura de emprego. Yay. Melhor maneira de comemorar a volta, tô só a confusão na vida, mas a gente segue em frente né meninxs?

Foram tempos sombrios na terra da folhinha, mas agora meu país também está em chamas, então acho que vou tirar uma folga dessas coisas todas e tentar fazer do blog uma terapia ocupacional.

Sabe, sei que muita gente tem viagens incríveis e voltam realizados e querendo mais quando saem de seus respectivos países etc etc, mas vejam, pra mim foi uma bela merda.

98% de todos que conheci foram pessoas tóxicas e me envolvi em mais relacionamentos abusivos do que meus dedos são capazes de contabilizar.

MÃAAAAS, como nem tudo é tristeza e deprê, também tenho ótimas coisas pra encher o mundo de raios quentinhos de amor e positividade ~~

Agora vai ser minha fase detox, sabe?

Não quero saber das porcarias do passado, o negócio é hoje e agora, amiguinhos.

Enfim, pequenas atualizações.